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R.Augusta: a sétima chave capítulo 5


                   "A serpente"

Gusman tomava um whisky com pedras gelos que derretiam conforme o calor humano, emergia no ambiente. Sem avisos, todos ficaram em um silêncio absoluto.  As luzes se apagaram. A tensão que repentinamente tomou o lugar, era quase palpável. O palco se iluminou, e uma figura feminina lhe chamou a atenção. 

Por Gusman:

Com os cabelos longos e pretos, a mulher usava um vestido com formato de serpente que lhe percorria todo o corpo. Ela começou a cantar, sua voz era intrigante e sedutora, ela trocava olhares com Carlos. Meu amigo estava preso a ela, como se estivesse enfeitiçado. Ela tinha esse efeito sobre as pessoas: as cativava com seu olhar, a atenção de todos estava minuciosamente concentrada à mulher. Quando voltei à realidade, percebi que ela estava flertando com Carlos, um troca de olhares cada vez mais intensa. 

Algo me incomoda, uma pontada em meu peito surge, um sentimento primitivo e possessivo me toma a mente. Seria ciúmes? Mas de quem? Da bela dama que estava seduzindo meu amigo em minha frente com aquele sorriso sacana e com um olhar cativante? Ou seria de meu amigo, Carlos?
Ignoro o peso em meu peito quando cogito a possibilidade de estar sentindo ciúmes de meu melhor amigo. 

A mulher sai do palco, vindo em nossa direção. Ela pediu uma bebida para Carlos, que a olhava fixamente, tomou em apenas um gole, sua Bloody Mary inteira.
—Rapazes...— seu olhar ainda se concentrava em Carlos. 
Da mesma forma como chegou, a mulher foi em direção as escadas e novamente, desapareceu pelas sombras da noite.

—Carlos, quem é ela?
—Ela é a Dama de vermelho a maior atração da noite, a mulher mais desejada por todos os homens frequentadores do lugar. 
—Ela está disponível?— Carlos soltou uma risada sonora e um tanto quanto sonhadora, mas não hesitou em sua resposta.
—Ela sempre está disponível, mas está fora do alcance de todos. Cara, aquela mulher é a própria tentação, mas às vezes acho que ela não tem coração, nunca pensou em se envolver seriamente com alguém. 
—Bom, um brinde as amarguras de uma vida amorosa desastrosa. 
—Um brinde!

Aquele incômodo ainda estava em meu peito, mesmo depois que a dama de vermelho foi embora. 

No escritório de Elizabeth...

—George, sinceramente, desde que você chegou de sua viagem da Austrália, você está um porre. Chega de se gabar de seus feitos homem! — todos os patrocinadores riram do comentário rude de Elizabeth, já ela, não moveu um músculo facial. Elizabeth sabia o porquê eles estavam ali. 
—Quem sabe um dia minha querida Betty, eu leve você para algum lugar longe desse poço de sexo e gente bêbada.
—Não me chame de "Betty", e eu gosto desse poço de sexo e gente bêbada, é a minha casa. Na próxima vez que você ofender a minha casa, eu acabo com suas chances de ter filhos.

Antes que George pudesse responder, uma série de aplausos e assobios surgiram pelos arredores do local.

—Qual seria a razão de tanta euforia? Alguma atração especial para nós hoje que faça nossa testosterona aumentar, Eliza?
—A memória de vocês é tão boa quanto a de um pombo. Hoje é quinta-feira, dia de nossa maior atração: a Dama de vermelho. 
O som das risadas logo foi interrompido pelo ranger da velha porta do escritório.
Quando o líder da gangue Los Calaveras Negras, entrou na sala com seu charuto entre os lábios, o semblante de Elizabeth mudou drasticamente.
—Ora, vejamos que vocês estavam se divertindo aqui, não é rapazes? 
Os quatro homens abaixaram as cabeças, enquanto Elizabeth encarava a janela fixamente, sem ter culhões de olhar o mafioso nos olhos.

—Saiam. Eu e Elizabeth temos assuntos para tratar. 
Quando todos saíram da sala, o mafioso que se denominava El Caballero negro, trancou a porta da sala e sentou na frente de Eliza.
—Sabe, Elizabeth— ele acendeu outro charuto e exalou a fumaça no rosto da mulher— eu conheço você desde antes desse lugar existir. Lembra de como nos conhecemos? 
—Você atropelou o gato de minha vizinha e eu fui atrás de você pedindo para que não o deixasse lá, morrendo aos poucos.
—Sim querida, você correu atrás do meu carro por dois quarteirões. Quando finalmente parei o carro, estava pronto para me livrar de você, mas não o fiz. E sabe por quê não? — Elizabeth balançou a cabeça negativamente. A tensão estava insuportável.
—Porque eu vi potencial em você. Você era destemida e teimosa, ingredientes perfeitos para a criação de uma mulher capaz de conseguir tudo o que quer.

—Eu sempre te ajudei quando precisou, minha querida. Eu te dei dinheiro para fundar esse lugar, reconstruir das cinzas; te coloquei em minha casa quando aquela antiga dona morreu e te deixou sozinha novamente. 
Nós tínhamos um acordo Eliza. Você tinha um prazo para me pagar. Eu te dei 5 anos para me dar tudo o que me deve, mas você não pagou. Pelo contrário, pegou dois mil reais com um novato de minha gangue. 
E aquele dinheiro, com certeza não saiu do bolso dele.

A garganta de Elizabeth estava tão seca, que uma vogal não saía de sua boca.

—Ele pegou do meu dinheiro querida. Abriu o meu cofre e retirou dois mil reais sem a minha permissão. — Lo Caballero suspirou fortemente e apagou seu charuto na ponta da mesa do escritório de Elizabeth. —Sabe qual foi o fim dele meu doce?
—Não, senhor. 
O mafioso chegou perto do ouvido de Eliza. A única coisa que era possível ser ouvida, era o peso da respiração de Elizabeth.

—Eu cortei as duas mãos do cara e depois arranquei dedos de seu pé. Enviei as partes mutiladas, para a mãe e a filha dele que moram em Santa Catarina. 

O peso no coração de Elizabeth apenas aumentou, ela era a causa da morte de um homem. Ele tinha uma família.

—Sabe que foi você que causou isso, não sabe? Meu doce, você sabe como eu não gosto de traições não é? — o homem fechou a janela e as cortinas da sala e logo acendeu novamente seu charuto, mas não o colocou em sua boca.
—Eu não gosto que me traiam. Muito menos que tentem me enganar. Nós tínhamos um acordo. Eu quero o meu dinheiro Elizabeth, me entregue antes que eu perca a paciência.

Elizabeth estava pálida e trêmula, ela não tinha o dinheiro.

—Eu sinto muito, eu não tenho todo o dinheiro, eu sei que me deu 5 anos como prazo, mas eu só preciso...— a fala de Eliza foi interrompida bruscamente quando o homem colocou o charuto aceso na perna da mulher. Rapidamente, ele colocou a mão em sua boca para abafar os gritos e súplicas de Elizabeth. 

—Não sabe o quanto me dói fazer isso em você meu doce, mas eu não tenho escolha, você me traiu e agora, eu estou com muita raiva. Você sabe o que acontece quando estou com raiva.— Elizabeth se contorcia desesperadamente em busca de soltar-se da cadeira em que o homem a prendeu e se livrar a dor insuportável de uma queimadura profunda.
—Não, eu não vou te matar meu bem. Como vai a sua tia Ellie, ainda no hospital não é? Em estado vegetativo? —Elizabeth lutava com todas as suas forças para se desprender. —Sua tia está daquele jeito, por consequência de seus atos. Quando ela caiu na frente daquele trem, foi resultado de suas ações, querida. Eu apenas a empurrei para a morte meu doce, mas dessa vez, não vou hesitar em matá-la com minhas próprias mãos. Você terá dois meses para conseguir o meu dinheiro. Se você falhar, não será somente sua tia que irá morrer, será todos que você conhece e ama. Você irá assistir a morte deles e saberá que você foi a culpada.

O homem tira o charuto da perna de Elizabeth, que está com a carne exposta e sangrando em quantidades absurdas. 

—É sempre um prazer conversar com você, meu doce.

O homem sai pela porta e Elizabeth, está chorando compulsivamente no chão.
A dor de sua ferida, não se compara a dor que está em seu peito.

—O que eu vou fazer, o que droga eu vou fazer?

Ela estava em um beco sem saída, a vida de todos, estava em suas mãos.

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