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A moça da sapatilha preta (3° capítulo)

   Eu estava deitado, assistindo um filme, quando de repente, senti-me um tanto entediado e sem muitas opções do que fazer naquele instante! Então lembrei de um livro que eu lia com Anna, fui até o quarto, revirei as coisas que estavam na escrivaninha, que até então, fazia muito tempo que não vasculhava, deparei-me com algumas fotos, que me fizeram resgatar memórias que não eram mais parte de mim. Lá estava uma foto da primeira vez que tive a oportunidade de vê-la dançando Scooby, com certeza era a bailarina mais bela daquele teatro, desculpe-me Scooby, dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas você não é obrigado a ouvir as minhas lamúrias.
   Entao deixei lá as fotos, e fui em direção a cozinha, tomar um copo d’água, pois eu estava com tanta sede, a pipoca estava um pouco salgada. As fotos despertaram em mim um desespero, uma aflição, que fragmentou os meus sentimentos, já não sabia mais o que eu sentia após ver aquelas fotos, não sabia se eu sentia raiva ou alegria em ter compartilhado cada momento com Anna. De repente eu ouço a
campanhia tocar, vou até à porta e pra a minha surpresa era quem eu menos esperava nesse momento.
- Elisabeth o que você está fazendo aqui? Não acredito que a mãe de Anna está aqui.
- Olá, Bryan, obrigado, mesmo sem você ter perguntado eu estou bem!
- Vamos Elisabeth, você foi uma das causadoras do fim do meu relacionamento com Anna, por que você lutou tanto pra afastar a sua filha de mim? A claro, não precisa responder, somos diferentes né, a sua filha sempre sonhadora, e eu, apenas eu um mero assalariado, sem futuro segundo as suas palavras, antes de Anna sair por aquela porta.
- Bryan, por favor, apenas me escute! Não estou aqui, pra falar sobre isso, Anna
acabou se acidentando durante um ensaio para a grande apresentação que ela faria, e essa apresentação, iria acontecer daqui há duas semanas, Anna está voltando, e não posso ajudá-la nesse momento. gostaria de contar com o seu apoio.
   Não Elisabeth, eu não posso ajudar, pois, Anna fez a escolha dela, eu fui abandonado, enquanto ela foi abraçada, o sonho dela fez com que ela acordasse todas as manhãs com um sorriso no rosto, enquanto eu vivia uma confusão, um misto de emoções, sem saber se em algum momento da minha vida os meus sonhos me abraçariam de alguma forma também, não isso não é egoísmo, é amor-próprio, pois quando Anna recuperar-se me abandonará novamente pra seguir o sonho de ser bailarina. Novamente a campainha toca, nos olhamos e por alguns segundos
instalou-se um silêncio ensurdecedor naquele cômodo.

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