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A moça da sapatilha preta (8° capítulo)


  Nada parecia normal, levantei-me, e aquele questionamento ainda estava presente martelando a minha mente, ao descer pra tomar o meu café deparo-me com Elizabeth, sim isso mesmo Elizabeth, tenho que pedir de uma forma nada cordial que ela se retire da mesa, e que vá embora! Mas ela esquece a bolsa e retorna pra buscar, depois de alguns minutos a campainha toca novamente então com certeza sei que é o convidado de Anna, me retiro, subi as escadas em direção do meu quarto, mas chegando no meu quarto algo deixa-me enfurecido, primeiro o fato de acordar e ver Elizabeth e ter que expulsa e não tomei o meu café da manhã, mas o que me enfurecia mesmo era o silêncio ensurdecedor que havia se instalado na casa. 
   Eu sabia que Anna estava na sala acompanhada de um estranho que eu nunca havia visto antes, sim na minha mente havia vários adjetivos para Peter, “Aproveitador, folgado, intrometido”. E o pior é que não conseguia para de pensar que Peter era um homem exuberante e muito mais atraente que eu, por que Anna desistiu de tudo sai sem nenhuma explicação, abandonando a relação que construimos, a nossa cumplicidade, a felicidade que sonhávamos tanto em ter, e hoje ela está lá na sala com Peter e esse silêncio corrói-me por dentro, não posso descer, seria constrangedor e humilhante, como se eu estivesse querendo saber o que eles estão fazendo, “Claro eu estou”, mas não preciso passar por isso!
  Vou ligar o som e colocar uma música que ligeiramente desperte um sono em mim, assim vou deitar-me e esquecer que Peter está lá em baixo com Anna. Fiquei ali apreciando cada nota, cada batida que ecoava em cada música, abri a portar por que de repente o quarto parecia estar pegando fogo, um calor, então sentei-me ao lado da cama, fechei os meus olhos e aquela batida convidou-me a dançar, levantei-me devagar não conseguia sentir mais nada ao meu redor, apenas aquela música calma e suave que conduzia a minha alma em cada batida, suavemente comecei dois passos pra lá e dois passos pra cá, quando do nada sentia a presença de alguém ao meu lado, permaneci de olhos fechados, senti as nossas mãos se entrelaçando e a vibração dos nossos corpos conduzidos por aquele ritmo suave, que trazia paz. 
   Não precisei abrir olhos, pois aquele perfume marcante, a essência já havia ficado na minha roupa, incontáveis vezes, apenas sussurrei no ouvido dela; “Anna o que você está fazendo?”. Por alguns segundos ela ficou em silêncio e depois disse-me. — Brayan apenas siga os passos, não quero nunca mais sair dos seus braços. Então apenas segui os passos e deixa a música nos conduzir naquele eletrizante momento em que as nossas almas se conectavam, mas não podia deixar de mencionar essa situação. — Anna não posso esconder o que sinto por você, eu te amo e não dá pra negar, eu fiquei aqui no quarto me corroendo de ciúmes desse tal Peter, desde a primeira vez que vi o nome dele soar dos seus lábios, foi como um tiro certeiro no meu peito.
— Brayan, o que você estava pensando? Peter é um amigo da minha mãe, viu-me dar os meus primeiros passos, viu a minha primeira apresentação como bailarina, apenas te chamei de Peter por que eu estava confusa com a proposta que ele me fez. Peter conhece a minha paixão pelas Artes, ele está morrendo, tem um câncer, e está em estágio terminal, por isso procurou-me, ele quer que eu tome conta da escola de Ballet dele e só vou aceitar se você entrar nessa comigo. Eu te amo e não vou cometer o mesmo erro novamente.

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