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A moça da sapatilha preta (7° capítulo)


  Elizabeth levantou-se e empurrou a cadeira de forma brusca, olhou-me nos olhos com um ar de desprezo, saiu como uma criança resmungando e remendando o que eu havia dito, ela bateu a porta e logo em seguida aquele som estridente. Enfim posso ouvir o silêncio reinando novamente nesta casa, foi só falar e a campainha tocou, vou até à porta e quando abro lá estava Elizabeth. — Bryan esqueci a minha bolsa, posso entrar? Pegue a sua bolsa e por favor, vá embora! não apareça aqui novamente. — Claro querido, com maior prazer, ah! antes que me esqueça, Peter está vindo aí. Bati a porta, e subi as escadas correndo em direção ao meu quarto, deitei-me e passei o dia pensativo. 
   Infelizmente essa mulher sabia como me desestabilizar, tenho certeza que ela nunca foi feliz com a escolha de Anna. Ela sempre fez de tudo pra o nosso relacionamento não dá certo, de uma coisa eu tenho certeza, foi ela, sim, foi ela, que colocou essa ideia na cabeça de Anna de seguir o seu sonho, ser bailarina, porém, Anna é bem grandinha e pode tomar as suas decisões, então não vou culpar Elizabeth por isso, vou assumir a responsabilidade, se não deu certo é porque não tinha que dá, vou parar de pensar nisso e focar no que é interessante. Anna bate na porta do quarto. 
— Brayan podemos conversar? 
— Anna, não estou no clima, por favor volta outra hora! 
— Brayan, não nós precisamos conversar agora, ou não teremos a oportunidade de nos resolvermos.
   Assustado, eu não sabia o que fazer, fiquei ali pensando numa saída, em como me recompor, por que tenho certeza que essa conversa não vai ser fácil, então perguntei-me, será que ela vai falar sobre Peter? Ou sobre ela ter ido embora? Acredito que é sobre Peter, Elizabeth disse que ele está vindo aqui, então pedi que ela esperasse na sala. — Por favor Anna espere-me na sala, eu já te encontro lá. 

   Encontrei Anna sentada no braço do sofá, ela estava com uma blusinha vermelha, uma saia amarela, florida, e um converse, quando olhei pra ela não consegui evitar, o sorriso que começava nos meus olhos fixos sobre ela, que desceram até os meus lábios trémulos e sem jeito, eu não conseguia disfarçar o quanto ela estava linda e a minha reação entregava-me, então eu afirmei com todas as letras “Anna você está linda”. 

  Ela olhou-me de lado meio sem jeito, agradeceu-me, dizendo Brayan não precisa fazer isso, nitidamente notei o quanto ela estava desconfortável com a situação, logo, eu percebi que essa conversa não seria nada agradável. Ela pediu-me que me senta-se e começou a dizer. 

— Então vamos lá, primeiro quero dizer-lhe o quão grata sou a você por hospedar-me, pelo seu carinho e cuidado, por você fazer esses dias melhores. 

 — Anna o que está acontecendo? 
— Brayan, eu recebi uma proposta irrecusável, e estou-me sentindo melhor, consigo dançar novamente. E gostaria que você fosse comigo! 
 — Anna, não acredito, você usou-me, novamente? 
 — Brayan, você ouviu o que eu disse? 
— Claro, com certeza. Por isso que a sua mãe estava aqui mais cedo, como eu pude deixar-me enganar assim? 
— Brayan, vem comigo, por favor!
    A campainha está tocando Anna, tenho certeza que é pra você, eu não queria saber antes, mas, agora eu tenho certeza Peter é seu namoradinho. Como eu pude ser tão estúpido a ponto de achar que você não faria a mesma coisa, você está acostumada, eu vou subir e deixar você a sós com o Peter. — Brayan, por favor não é isso que você está pensando. Por favor digo eu Anna, vai atender a porta, vou ir para o meu quarto e a princípio retire a sua sapatilha que está no meu quarto, antes de você ir embora. 

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