Quando recebi aquela carta não tive dúvidas
do amor que eu sentia por Peter e agora esse amor preenchia-me com
fraternidade, esvaia-me como se os melhores sentimentos pudessem fluir sobre o
meu ser, porém, o orgulho ainda tomava conta do meu ser. Nesse (altura) do
campeonato meu pai suplicando a minha atenção, com o pouco tempo de vida que
lhe restará, vida essa que eu pude acompanhar de perto, sem ao menos saber que
ele era meu pai. Sempre questionei a minha mãe sobre o paradeiro do meu pai e a
todo momento esteve ali ao meu lado, eu senti-me egoísta, por não acompanhar os
seus dias de dores e angústias, a única certeza que eu tinha era que eu estava
distante, afastada a semanas do meu pai.
Enquanto
Brayan, aproveitou cada segundo, não perdeu a oportunidade de conhecer Peter,
sim Peter. Por que Brayan teve a oportunidade de conhecê-lo profundamente na
sua essência, pois o seu momento de ‘’fragilidade” o tornou um homem mais
forte, que lutou enquanto teve forças. Cada visita de Brayan era uma história
diferente, os jogos de tabuleiro, as cartas e as trapaças de Peter que nunca
mudavam, sempre querendo tirar proveitos nos jogos e Brayan se encantou, eu permaneci ignorando o fato do meu pai estar
doente e devido o meu orgulho eu o abandonei.
Acabou
que se passaram alguns dias e era fim de tarde, o sol começará a se pôr, e eu
estava no estúdio preparando o repertório da próxima aula, vou até o armário e
deparo-me com a carta que Peter havia-me escrito, retornei a ler aquela carta e
um sentimento de medo, insegurança e impotência invadiram-me de uma forma bruta
que não conseguir elaborar nada pro dia seguinte. Então comecei a refletir
sobre a esperança, o amor e a fé, sim a esperança e a fé, pois eu acreditava
que em algum momento Peter voltaria para casa, o amor, porque o amor ultrapassa
o nosso entendimento e as nossas frustrações.
Larguei todos os meus compromissos do dia e
então decidir que era o momento de ir até o hospital e ter uma conversar franca
com Peter, colocar os pingos nos is. No caminho decidir parar numa casa de
doces e comprar alguns bombons para adoçar a vida de Peter, chegando no
hospital parece que a minha vida mudava de cor, deixava de ser colorida e
escurecia em um tom de luto, assim que
me deparei com o corredor do quarto de Peter, notei de longe um alvoroço, uma correria
de lá pra cá, alguns profissionais correndo e avistei minha mãe debruçada sobre
o leito de Peter em Prantos.
As
minhas pernas ficaram trêmulas, faltou-me força e palavras naquele instante,
pois Peter acabava de ser reanimado, ele guardou o seu último suspiro de vida, para
apenas segurar nas minhas mãos e dizer-me. — Querida Anna, eu te amo e sempre
vou amar-te, você trouxe-me tantas alegrias, que não poderia ser mais grato a
esse momento que nos uniu novamente e hoje posso descansar em paz por que tenho
a oportunidade de pedir o teu perdão. Então o abracei, ficamos por alguns
segundos abraçados e por um momento sentir uma das suas mãos escorregar
descendo sobre meu braço direito e tive a certeza que ali foi a deus.
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