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A moça da sapatilha preta (11° capítulo)

   Peter eu gostaria de agradecer-lhe por tudo o que você fez por Anna e gostaria também de desculpar-me, pois em um breve momento eu pensei que havia perdido Anna pra você, pois não conseguia pensar em outra coisa, a não ser na sua aparência enérgica como um jovem brilhante e talentoso, cheia de vida, mas não é bem essa a situação, não é? Sinto-me mal, pois dessa forma que me expressei é como se não me importasse com a sua situação, porém é ao contrário, naquele instante que eu e Anna o encontramos no chão, eu pensei apenas em voltar no tempo, pois com certeza não iria arrepender-me de ter conhecido você antes.
 — O meu jovem, caro Brayan, não se iluda as coisas não são tão simples assim como você imagina. Sou apenas um ser vacilante, que devido às escolhas que eu fiz na vida estou nessa situação em que me encontro hoje. Um homem sozinho, sem esperança e consumindo por uma doença que acaba por minar todos os dias o meu desejo de seguir em frente, de sonhar e viver algo novo, mas não sei ao certo quanto tempo de vida me resta, segundo a ciência alguns messes, mas segundo o meu corpo e essa dor insuportável acredito que poucos dias, gostaria de voltar no tempo e mudar algumas escolhas, eu apenas trago como lição dessas escolhas as marcas e dores que carrego por aonde vou. 

   Fiquei intrigado e emocionado ao mesmo tempo, com as palavras duras e sábias de Peter, a única coisa que eu conseguia pensar nesse momento era se toda essa história estava ligada ao que Peter deixou escapar para Anna, que existia um segredo entre ele e Elizabeth. Em contrapartida Anna parecia-me um pouco surpresa com esse desabafo de Peter. Então Anna o questiona. — Mas por que você nunca falou sobre a sua doença Peter? Sobre essa solidão? Você estava em praticamente todos os momentos marcantes da minha vida, e não conseguiu compartilhar e nem se abrir nos seus momentos de angústia e dor. O que está acontecendo com você Peter?
— Querida, isso angustiou-me por muito tempo, mas agora eu estou prestes a morrer e isso não me causa mais angústia e dor do que essa doença, mas isso corroeu-me por um longo tempo, foi como um veneno, silenciou-me por anos, a vergonha e a tristeza de ter partido, não eu não conseguir alcançar o mesmo sucesso que Elizabeth e você alcançaram no Ballet, querida. 
 — E qual problema, você tornou-se um excelente coreógrafo, um homem bem-sucedido Peter, olha o seu atelier de artes, a sua escola de Ballet, o que mais te faltava. 

 — Anna minha querida o que faltava era a mulher da minha vida, sim, Elizabeth, não era mais parte da minha vida, pois ela decidiu seguir a carreira brilhante que ela lutou para conquistar com muito suor e determinação, mas, passado alguns messes ela voltou dizendo que estava grávida e que eu era o pai da criança. E como eu um homem moribundo, abandonado a sua sorte, descartado por não ser um excelente bailarino, abandonado pela mulher que eu amava e entregue ao vício, pois é, eu deixei a bebida consumir-me. Não podia acreditar que eu poderia ser o pai dessa criança, pois Elizabeth ficou messes fora e quando ela voltou você já estava nos braços dela, eu só podia imaginar que seria de outro homem.

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